
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Quem Quer Ser Bilionário?

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Fome

Realização: Steve McQueen
Ano: 2008
Cruel, violento, perturbador. Assim se descreve em poucas palavras a estreia de Steve McQueen, conceituado artista plástico britânico, na realização. "Hunger" conta a história das últimas semanas de vida de Bobby Sands (Michael Fassbender), membro do IRA que, em 1981, liderou uma greve de fome em protesto contra as políticas de Margaret Tatcher relativamente aos movimentos independentistas da Irlanda do Norte. Mistura de ficção com documentário, é um relato poderoso e incómodo sobre a vida na prisão de Maze, onde o ódio de décadas e o medo são os sentimentos reinantes entre guardas e prisioneiros. Ao contrário da abordagem de outros filmes sobre o mesmo tema, Steve McQueen não se preocupa em entrar em derivações políticas ou em análises profundas sobre a validade dos argumentos de ambos os lados da luta. Limita-se a mostrar, sem artifícios ou embelezamentos, a brutalidade de um conflito onde a razão há muito foi deixada de parte.
"Hunger" não segue uma estrutura narrativa clássica, é um filme artístico e experimental que se divide claramente em três actos ligados por uma mesma realidade. De estrutura rígida e minimalista, Steve McQueen reduz o diálogo ao essencial e é o fulgurante ambiente visual que, por si só, funciona como motor da história. É através deste método que começa por nos mostra as rotinas de um guarda-prisional (Stuart Graham), que incluem submergir os nós dos dedos em água para sarar as feridas de espancar prisioneiros, ou procurar bombas debaixo do carro para se assegurar que tal comportamento não o torna a próxima vítima do IRA. Entretanto, acompanhamos também dois prisioneiros que, como forma de luta pelo não reconhecimento do estatuto de prisioneiros políticos, recusam-se a manter a higiene pessoal e utilizam os próprios fluidos corporais para pintar as paredes da cela.
É só após esta visita ao dia-a-dia na prisão de Maze que encontramos a personagem principal, Bobby Sands, no momento em que é arrastado para uma banheira onde um guarda o esfrega com uma vassoura, acabando a sua resistência por provocar uma rixa com uma violenta intervenção policial. Aqui começa a segunda parte do filme, que se estende num fabuloso plano-sequência de aproximadamente 10 minutos, onde Sands dá a conhecer as suas intenções de levar a cabo a greve de fome ao padre Moran (Cunningham). Esta é a cena central e fulcral de "Hunger", cheia de energia e vivacidade, embora a câmara se mantenha intocável. Numa obra quase sem diálogos, é nesta conversa sobre a validade ética do acto desesperado de Sands que percebemos um pouco sobre as motivações dos intervenientes e as bases ideológicas do conflito.
A última parte centra-se na impressionante decadência física e psicológica de Bobby Sands. Com imagens chocantes, para ser simpático, assistimos ao lento tormento de um homem consciente de que, para se manter fiel à causa, só a morte lhe resta. O filme, despojado de qualquer tentativa de romancear os acontecimentos, não tenta tornar Sands um mártir ou um herói. No entanto, concorde-se ou não com o protesto, é impossível deixar de sentir respeito pela forma como, no meio de tamanha insanidade, Sands e muitos outros homens nunca deixaram de lutar e foram capazes de se sacrificar pelo que acreditavam ser justo. Nesta fase, os espectadores já estão completamente embrulhados na história, e apercebemo-nos do quão importante e pessoal a disputa se tornou para ambos os lados do conflito, indisponíveis para ceder um milímetro que seja.
"Hunger" é um filme obrigatório e um dos melhores de 2008. Requer estômago e em algumas partes paciência, mas no fim é certo que vem a recompensa. Original e destemido, depois de uma primeira obra deste calibre só se pode augurar um futuro promissor a Steve McQueen. Com uma realização de inegável qualidade, engendra imagens brilhantes e ao mesmo tempo assustadoras, que conseguem a espaços representar a violência e a dor de forma quase poética. McQueen faz com que cinema bom e original pareça uma coisa simples. Basta não ter medo de arriscar, saber à partida o que se quer mostrar e a forma como o fazer. Por cá, ficamos felizes se continuar assim.
Classificação: 8/10
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
O Estranho Caso de Benjamin Button

Realização: David Fincher
Ano: 2008
Benjamin Button (Brad Pitt) é, como ele próprio nos diz, uma criança que "nasceu sob circunstâncias curiosas". Invertendo o ciclo normal de vida, nasceu velho caquéctico e vai ficando mais jovem com a passagem do tempo. Confrontado com esta condição, tem de aprender a conviver com o envelhecimento das pessoas que ama, enquanto o seu corpo rejuvenesce a cada dia que passa. Desde muito cedo desenvolve uma relação íntima com Daisy (Elle Fanning e, mais tarde, a lindíssima Cate Blanchett), que por razões desconhecidas se apaixona desde criança por Button, mesmo tendo em conta que ele estaria na casa dos 70 anos nessa altura. Esse amor, claro está, vai-se desenvolver ao longo do filme e atinge o apogeu quando os dois, a caminhar em direcções opostas, se encontram finalmente na mesma faixa etária.
Só que a história falha em conseguir cativar o interesse do público. A simples premissa faz com que a relação entre Button e Daisy pareça sempre um pouco forçada, o que se torna ainda pior quando é evidente que o amor entre os dois é o principal motor da narrativa. Para além disso, Button é uma personagem excessivamente passiva. Se o mundo desabar à sua volta ele limita-se a contemplar o desastre. Aceita o seu destino com uma resignação digna do Dalai Lama, não tem um único momento de dúvida ou de revolta. É emocionalmente oco, sem objectivos ou interesses que o individualizem. Define-se unicamente pelo seu processo de rejuvenescimento, e isso é muito pouco para encher mais de duas horas e meia de filme. É muito difícil importarmo-nos com o seu destino trágico, se nem ao próprio Button isso parece preocupar.
Mas se em termos dramáticos as falhas são mais que muitas, visualmente não existe nada a apontar. David Fincher empregou o seu enorme talento na criação de imagens e cenários perfeitos, com recriações meticulosas das várias épocas que atravessa. É uma obra visualmente imponente, a piscar o olho à tentativa de realização de um épico grandioso, cuja própria duração é testemunha. O problema está quando procuramos o que está por detrás das imagens. Vindo de David Fincher, responsável por filmes tão negros e obscuros como "Seven" ou "Fight Club", não era de esperar uma viragem tão acentuada para o lado sentimental. Esperemos que "Benjamin Button" seja apenas uma excepção no caminho.
O argumento é da autoria de Eric Roth, baseado numa história original de F. Scott Fitzgerald. Para quem não conhece Eric Roth, foi o responsável pelo argumento de "Forrest Gump". E as semelhanças são indisfarçáveis, com a utilização do mesmo género de realismo mágico. Se Forrest Gump teve a sua piada, "Benjamin Button" encontra-se por diversas vezes no território da lamechice primária. Os dois filmes centram-se nas experiências de uma personagem central inadaptada e inocente, que por circunstâncias diversas percorre meio mundo e depara-se com aventuras inesperadas, isto enquanto aproveita para aprender meia dúzia de lições de vida inspiradoras e melancólicas. Em "Benjamin Button" a vida pode não ser como uma caixa de chocolates, mas garanto-vos que não anda muito longe (a tagline é "You never know what's comin' for you"). A fórmula é a mesma, mas aqui está velha e gasta.
E no final invade-nos a sensação de que andamos às voltas, às voltas, e não chegamos a lado nenhum. Sobram os pormenores de realização e o fantástico trabalho de caracterização de Brad Pitt e Cate Blanchett. É um filme que consegue não aborrecer muito, mas de um favorito aos Óscares espera-se que seja mais que isso. E de certo que pouca gente terá vontade de o rever no futuro.
Classificação: 4/10
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Antes Que o Diabo Saiba Que Morreste

May you be in heaven half an hour... Before the devil knows you're dead. É com esta simples frase, um velho provérbio irlandês, que o filme abre. E logo aí prepara-nos para o que se segue: um relato cru e adulto sobre relações familiares turbulentas, onde todos são capazes de tudo para atingir os seus objectivos. Aqui não existe um segundo pensado para as complacências, os amores indestrutíveis ou as amizades duradouras. Mas sobram enganos, mentiras, violência (física e psicológica) e discussões. Tudo tem um preço. É a espécie humano no seu lado mais negro. Aos 83 anos, Sidney Lumet demonstra-nos que velhos são os trapos e que a idade continua a ser, mesmo nos dias de hoje, um posto. Para quem pensava que por estas bandas já nada de novo podia surgir, desengane-se. Antes Que o Diabo Saiba Que Morreste é, sem dúvida, um dos melhores filmes do ano passado.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
Contas à Vida - 90's O Cabo do Medo

sábado, 20 de dezembro de 2008
Paris

sábado, 13 de dezembro de 2008
Amália
